Pasteurização das Compotas

“Porque as compotas duram tanto, se os doces não possuem conservantes?” Essa é uma pergunta que recebo constantemente. Então hoje vou explicar o porquê dessa durabilidade das compotas artesanais, de uma maneira muito simples.

Isso só é possível graças a pasteurização(um processo utilizado em alimentos para destruir microrganismos patogênicos ali existentes), uma descoberta feita pelo famoso e conceituado químico francês, Louis Pasteur. A qual pode ser feita até mesmo no fogão da sua casa, porém apesar de simples, essa técnica traz consigo um grande e importante benefício, a conservação dos alimentos.

Para entendermos o processo de pasteurização vamos falar um pouquinho de Louis Pasteur. Ele foi um brilhante químico, que deixou esse grande e importante feito para a humanidade. Pasteur, nasceu em 1822, no interior da França. Quando criança adorava arte, nada indicava que seria um químico. Ainda jovem, ingressou em uma grande escola de química em Paris, interessando inicialmente por estudos em cristais.

O tempo passou e Pasteur tornou- se professor, casou- se e teve três filhos. É uma linda e longa história, de muito estudo e grandes descobertas. Dentre elas, a pasteurização, descoberta essa que com o tempo foi sendo aperfeiçoada, e que hoje é usada nas indústrias e fabricações caseiras de alimentos. E é essa técnica que usamos na nossa produção de compotas. É muito simples, aqui usamos vidros com tampas de rosca, mas nas indústrias é utilizada em tudo, desde um pote de iogurte até as mais diversas latas.

Aqui na Mazé Doces, pegamos os vidros limpos, acondicionamos os doces frios, colocamos calda quente, tampamos de maneira que a rosca se encaixe perfeitamente na boca do vidro, e logo após levamos para pasteurizar, entre 10 e 15 minutos. Fazemos o resfriamento dos vidros e pronto, podemos guardar os vidros de doces por até dois anos.

Dicas para durabilidade do seu doce

Mas veja bem, para a boa durabilidade do seu doce tem um segredinho, está na tampa.
Quando você abrir um vidro de doce, azeitona ou palmito, observe a borracha que tem dentro da tampa, ela tem uma função importantíssima, que é selar o recipiente. Isso porque, quando fechamos o vidro e levamos para ferver essa borracha expande e quando esfria veda a boca do vidro, impedindo a passagem de ar e bactérias. Com isso o alimento(no nosso caso o doce), fica protegido e dura anos, mesmo sem conservantes. Outra etapa muito importante também é a retirada do ar que contém entre os doces, mas esse é assunto para um próximo post.

É muito importante você saber, que só deve abrir vidros de compotas artesanais ou de qualquer outro alimento pasteurizado na hora de comer, e depois conservá-lo na geladeira. Ah! Fique atento a tampas estufadas, pois se assim estiverem é porque houve uma falha no processo de pasteurização, e não deve ser consumido, pois já está estragado. Isso acontece se não for fechado corretamente, ou, quando o tempo de pasteurização não foi suficiente para o produto.

E olha, eu descobri isso ainda muito pequena, sem nem em sonho conhecer a história de Pasteur e muito menos as técnicas de pasteurização. Tinha por volta de uns 11 anos e minha irmã Carminha frequentava o clube 4S, um programa da Emater MG, a qual minha querida amiga Flora, era a responsável. Ela ensinava as jovens da Zona Rural fazer de tudo, desodorante caseiro, costurar, cozinhar, etc. Acredita que até como fazer piquenique?(risos)

Como era mais nova não podia me inscrever, então ia com minha irmã Carminha, e ficava observando tudo. Em um daqueles encontros, Flora ensinou para as meninas a fazer molho de tomate, e no próximo iria ensinar a fazer macarrão. O encontro foi na casa da Rita do Lino, lá foi feito um delicioso molho, que foram divididos, colocados em vidros e pasteurizado.

Após todo aquele processo, Flora então olhou para minha irmã Carminha e a pediu que levasse o vidro para nossa casa e guardasse com todo cuidado, mas não podíamos abrir. E lá fomos nós duas, morrendo de alegria de sermos as guardiãs daquele vidrinho de molho.

Chegando em casa, ficamos tão entusiasmadas que abrimos o vidro para mostrar a nossa mãe o que havíamos feito apenas para que ela cheirasse, e fechamos novamente. Oito dias depois fomos para o próximo encontro, para fazer o macarrão. Quando Flora abriu o vidro, pronto! O molho estava todo embolorado! Uma lição aprendida para a vida inteira, só muito anos depois é que compreendi o que aconteceu.

Então lembre-se, quando abrir o vidro de doce guarde-o na geladeira e consuma rapidamente, não faça como eu e Carminha, certo?

Espero que você tenha gostado do post, beijos e até o próximo! Quer conhecer nossas deliciosas compotas artesanais e outras delícias? Acesse www.mazedoces.com.br